Começou de repente, como tudo em minha vida.
     Lembro-me de amar histórias (e odiar algumas, como Sítio do Picapau Amarelo) desde que era pequena, mas algo muito grave me impedia de escrever e ler com mais frequência: a preguiça. E esse estado de letargia me fez ficar longe do que eu amo fazer até os 10 anos de idade, quando comecei a escrever uma série chamada (olhem a criatividade!) "A Passagem" inspirado em um sonho esquisito que envolvia portais, primatas (oque?!) mais desenvolvidos e cruéis e florestas.  Há poucos anos, quando o computador velho de minha família não tinha perdido seus documentos ainda, encontrei alguns rascunhos e me diverti muito com o que escrevi na minha infância. Não consegui entender boa parte do texto! Outra curiosidade que me fez chorar de rir foi o fato dos nomes dos personagens serem de professoras e amigas antigas! 
     Então minha vida realmente mudou quando a febre "Crepúsculo" iniciou, e, apesar de eu não apreciar mais essa saga, serei eternamente grata por ter me envolvido tanto quando eu tinha 11 anos. Apaixonei-me pela literatura e abri minha mente para mais séries e experiencias. Comecei, com a ajuda de duas amigas, escrever fanfics para sites que nem existem mais. As ideias eram boas, percebo agora, mas eram terrivelmente mal escritas, além disso, havia uma personagem inspirada em mim, porque eu gostava tanto de minha trama que queria me ver incluída nela, e, então, surge um grande problema: muitos escritores quando tentam se descrever em alguma obra, acabam descrevendo o que pensam que são e não o que são de verdade. A partir daí, notei que era uma péssima ideia e hoje, o máximo que faço - e com carinho - é atribuir alguma caraterista, habilidade ou mania minha à meus protagonistas, somente isso.
     E então mergulhei em séries infanto-juvenis como The House Of  Night, Harry Potter, Os Imortais entre outros. Isso fez com que eu enxergasse a língua portuguesa de um modo diferente - não como algo chato que me impedia de escrever bem. Aprendi inúmeras regras de português por notar o quanto eram importantes e úteis na minha vida e vivo aprendendo e me esforçando até hoje para assimilar algumas regras ortográficas.
     Sempre foi apaixonada por mitologia grega - e, pasme! não gosto de Percy Jackson - então decidi escrever uma história só minha, que envolvesse esse universo. Até hoje falo para Gabrieli Prates, minha eterna companheira, que essa história é minha "galinha dos ovos de ouro". O nome da trilogia, inicialmente, se chamaria "Reprimindo Origens", e foi um projeto que foi para a gaveta. Por que? Porque eu não estava pronta para esse livro. Mas espero ansiosamente estar um dia. Acabei escrevendo a trilogia inteira, mas somente o ultimo livro está à altura de uma publicação e, muito infelizmente, não existe como publicar primeiramente o desfecho de uma história para depois publicar seus primeiros volumes.
     Repentinamente, no meio desse processo, juntei-me com Gabrieli Prates para abrir um blog literário, intitulado Palácio de Livros, que até hoje está em pé graças ao nosso amado Pedro Oliveira (com a ajuda da brilhante Bianca Melo), que acolheu de braços abertos e deu continuidade em nosso projeto. Acabei deixando de lado a escrita para resenhar livros para Editoras e Autores - e isso tomava muito tempo! - e vejo que foi uma pausa legal para meu amadurecimento - tanto na vida, em termos de administração do tempo, responsabilidades, quanto na escrita.
     Mas depois surgiu o NaNoWrimo, que nada mais é que uma espécie de desafio: um mês para escrever um livro inteiro. Muitos autores hoje famosos surgiram desse desafio e escolhi uma história desafiadora que rondava minha cabeça há um tempo para tentar.
     É claro que não deu certo. Para participar de um desafio desse, é preciso muito tempo, poucas horas de sono e quase nada de compromissos - se você deseja que seu livro saia completo de todas as maneiras. Porém, decidi prosseguir com o desafio para mim mesma, até porque eu amava e essa história de verdade e me sentia inspirada para prossegui-la.
     Beleza, Letícia, entendemos, mas onde surgiu essa história? Pois é, por um tempo não consegui responder essa pergunta porque minha memória simplesmente apagou o dia que Linhagem Vermelha caiu com paraquedas na minha imaginação. Contudo, depois de refletir muito sobre o inicio de tudo, lembrei que assisti uma reportagem muito legal no canal Globo, na (corrida) hora do almoço, onde pessoas de uma cidadela interiorana alegavam que passava um trem inexistente durante a noite em trilhos abandonados, ou seja, uma estação desativada! Eles escutavam o barulho do tem e até a buzina. Fiquei encantada! Já pensou que história sensacional? Fiquei com isso na cabeça e juntei minha vontade de desenvolver um livro sobre as futuras gerações da famosa Condessa de Sangue (que, sim, realmente existiu!). Já meu apego a família Bathory começou depois que li "Drácula" de Drace Stoker e Ian Holt (uma versão bem diferenciada e bem escrita).
     Mas passei por maus bocados com essa história. O pior deles foi a inexperiência. Eu estava construindo uma história em que a parte mais importante eram os personagens, mas eu não sabia desenvolver bem personagens (aliás, nem sei dizer se sei hoje). Descrevia muito a cena, e falava pouco sobre as protagonistas, sobre os elementos subjetivos. Claro que em minha mente eles estavam muito bem desenvolvidos, concretos e eram complexos - o problema era expressar isso e passar para o papel.
     Terminei o livro há uns dois, três anos atrás. Mandei para as editoras famosas e as nem tanto. As famosas só pediam a sinopse e o resumo, e já me dispensaram quando viram minha idade. Fiquei tremendamente decepcionada quando percebi que nem quiseram ler o prólogo ou os primeiros capítulos! Era pura discriminação "Eu presumo que sua obra é ruim, por isso nem vou pegar para analisar"
As editoras menores, que aceitaram meu manuscrito, não puderam me conceder uma proposta tão proveitosa. Algumas até ofereceram 3% sobre as vendas! Não escrevo pelo dinheiro, mas parecia que os 97% alguém iria receber.
     Então coloquei na gaveta esse projeto. E depois de um tempo resolvi lê-lo - e foi a melhor atitude que tomei. Após um tempo longe da sua obra, quando você vai lê-la, consegue ver melhor quais são os problemas dela. Comecei do zero. Estou agora arrumando os capítulos que precisam ser alterados e desenvolvendo meus personagens com o intuito de lançar o livro de forma independente, sem editora envolvida (inicialmente).
     É claro que tudo se encaminha. Estou recebendo uma ajuda enoooorme de meu avô Pedro Ornelas junto a minha avó Elena, que estão me auxiliando financeiramente e estão me apoiando, sem exigir retorno ou duvidar de minha capacidade - o que para um autor, é o começo de tudo.
     E voltando para meu problema inicial: sou preguiçosa, mas já aprendi a lutar contra isso. Por ser exatamente assim que não me permito parar um minuto da minha vida. Faço faculdade, trabalho, estudo inglês, faço pilates, escrevo e leio livros e cuido do meus quatro filhos de quatro patas (que dão tanto trabalho quanto uma criança humana hiperativa).
     E acho que é assim que tudo começa na vida: de repente, quando você tem força de vontade e otimismo, quando você não se deixa levar pelas pessoas que querem te rebaixar ou pelos seus próprios defeitos, que te impedem de evoluir. Acreditar em você é o primeiro passo, mesmo que os outros não façam isso.
     Portanto, estou abrindo esse site com o intuito de inspirar escritores jovens e iniciantes que guardam ou já guardaram seus livros na gaveta porque "não estavam bons o suficiente" ou que receberam inúmeros "nãos" de Editoras. Aqui irei postar a minha experiencia, conforme a vou adquirindo e o progresso de meu desafio - desafio de começar do zero e publicar independentemente. 
   Isso significa que terei muitas dúvidas, mas também darei muitas dicas; que surgirão momentos de desabafo e pessimismo, mas também momentos em que as coisas se encaminharão e meu sonho começará a dar certo. Espero que continue sendo um grande desafio, e que, quando eu terminar este, que logo em seguida comece outro!


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